Madalena

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Texto e ilustrações: Natália Gregorini
56 páginas
4 x 4 cores
15 x 15 cm
Isbn 988-85-66344-41-7
livro-álbum

Para leitores de todas as idades

R$ 44,00

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Madalena é a história de uma avó, contada por sua neta. Mas, este não é mais um livro de avós, ao contrário. Escrevendo entre imagens, palavras, cores e muitos silêncios, em seu primeiro livro ilustrado, Natália Gregorini constrói essa personagem, cujos passos podemos ouvir ao longo da história, ora pesados, ora tão leves quanto os da menina. Já de início, Madalena nos convida a observar o tempo com ela, que de sua montanha mais alta, vê o mundo. E assim, a cada lento virar de página, se revela um livro em que tudo é semente e encantamento, um livro de começos e trajetos, de reconhecimento e memória.

Em um cenário que se constrói e reformula, Madalena discorre sobre o tempo, que faz sentir passar no universo construído na relação entre avó e neta. Enquanto o azul da menina impregna o mundo da avó, esse mundo impregna o leitor e o transporta a memórias pessoais, reais ou desejadas; o laranja, que do azul é cor complementar, surge introduzindo paulatinamente o amadurecimento da menina. E não à toa – porque nada neste livro é à toa – é essa a cor da capa do livro, em que o azul aparece apenas para emoldurar a memória de um outro tempo.

Nas guardas, a menina e a avó se encontram, em diferentes momentos, contando ao leitor que Madalena também fala do tempo dessa menina. Uma primeira página dupla prefacia a história, com ela já crescida, olhando de perto e coberta em afeto, a memória que guarda na parede. E só então conhecemos Madalena, sentada à varanda, em um cenário em que a única cor é o preto. Ela observa o mundo enquanto bebe seu chimarrão. A luz e os elementos que aparecem nos contam que o tempo da história passa lentamente, e Madalena espera e olha, até que se ilumina inteira e nos concede um sorriso. Ali, reconhecemos outra história dentro da história. É um novo começo.

Já na primeira sequência o processo de construção do livro é deflagrado: as marcas da embalagem desenham a casa, o espaço que contém memórias, descobertas e tanto das histórias dessas duas mulheres. Os elementos que modificam o espaço e delatam o passar do tempo, que se adensa a cada virada de página. De acordo com Luise Weiss, “A escolha da técnica não ocorreu por acaso, e tampouco por modismos. Trata-se de técnica híbrida, entre a gravura em metal (ponta seca), desenhos, recortes e montagens. A matéria-prima, cartolina de embalagens longa vida, explicita a sua fragilidade, impossível fazer edições grandes. Simultaneamente possui agilidade, permitindo recortes e montagens. Assim, a escolha dos materiais dialoga com a busca da poética do livro ilustrado: caminhos entre espaços e tempos, marcados pelas cores azuis e laranja. Percursos entre memórias e vivências.”

De pequenas dimensões, o livro, como a moldura da capa, cabe entre as mãos. É como segurar uma relíquia, que quanto mais olhamos, mais percebemos o valor. E, assim, a cada leitura, Madalena nos revela algo, um ovo, a primeira palavra, como se ao entrar na casa, acompanhando a menina e avó, adentrássemos a vida íntima daquela família. O livro é um objeto que revela um mundo íntimo guardado entre as capas onde o tempo e espaço se encontram. Em Madalena, o tempo é matéria e nos relata como se constrói o olhar, transformando saberes em descobertas, emprestando memórias, inventando mundos. Madalena é uma avó e tantas ao mesmo tempo. E assim fala da infância e da velhice, de encontros, da persistência das memórias que alargam as coisas mais simples na vida, de como encontrar sua montanha mais alta.

Natália Gregorini nasceu em 1990, em Vilhena, Rondônia. Quando tinha cinco anos, cruzou o país para, junto a sua mãe, ir morar com a avó Madalena em uma pequena cidade chamada Realeza, que fica no Paraná. Anos mais tarde, estudou Artes Visuais, na Unicamp, onde também fez seu mestrado, em Poéticas Visuais. Madalena é o primeiro livro autoral de Natália Gregorini e a primeira produção nacional da editora Livros da Matriz.