Sabina Spielrein

sabinaGlivro finalista

Sabina Spielrein
Uma pioneira da psicanálise
obras completas – volume I

Organização e textos críticos
Renata Udler Cromberg

Tradução: Renata Mundt
Capa e projeto gráfico: janela estúdio
400 páginas
14 x 21 cm
Isbn 988-85-66344-31-8
R$ 64,00


Sobre Sabina Spielrein

Sabina Nikolajevna Spielrein nasceu em 1885, em Rostov, na Rússia. Depois de uma educação tradicional para meninas de classe alta, uma crise psicológica leva sua família a buscar ajuda no exterior. Acompanhada por sua mãe, vai para a Suíça e interna-se na Clínica Burghölzli, em Zurique, no dia 17 de agosto de 1904, aos 19 anos. É encaminhada para tratamento com um jovem médico, alguns anos mais velho que ela, o doutor Carl Gustav Jung.

Em 1906, Sabina torna-se um misto de paciente e amiga de Jung. Em 1908, sua amante. Termina a faculdade em 1911, publicando sua dissertação O conteúdo psicológico de um caso de esquizofrenia (Dementia praecox). É a primeira mulher da história a se formar como doutora em medicina abordando um tema psicanalítico. Nesse mesmo ano vai para Munique, após o término de sua relação com Jung. Depois vai para Viena, encontrar-se se com Freud. É aceita como membro da Sociedade Psicanalítica e apresenta A destruição como origem do devir, que seria publicado em 1912.

Vai morar em Berlim, em 1913, quando tem a primeira filha. Entre 1912 e 1914, publica vários trabalhos nas revistas de psicanálise. No conflito entre Jung e Freud, fica ao lado de Freud, mas é sempre vista como aliada de Jung. Em 1920, muda-se em seguida para Genebra para trabalhar no Instituto de Psicologia Experimental e de Investigação do Desenvolvimento Infantil Jean Jacques Rousseau. Torna-se analista de Jean Piaget – então com pouco mais de 20 anos – e escreve sobre o desenvolvimento da linguagem nas crianças.

Em 1923, aos 39 anos, volta à Rússia, onde recebe tratamento destacado das autoridades do Partido, apoia a fundação da primeira Associação Psicanalítica na Rússia e começa a trabalhar no Instituto Estatal de Psicanálise, em Moscou. Após a ascensão de Stalin, em 1926, a psicanálise perde a proteção estatal e cai em desgraça. Ainda ensina psicanálise na Universidade de Rostov, até a proibição oficial em 1933. Sabina Spielrein morre em 1942, fuzilada pelos nazistas, na mesma cidade em que nascera.


Sobre a obra

A ausência quase total de Spielrein em obras fundamentais de história da psicanálise até a década de 1990 faz emergir várias questões. Anteriormente limitada a uma nota de rodapé escrita por Freud em Além do princípio do prazer, e inicialmente estigmatizada como apenas uma discípula do mestre Jung, além de ligeiramente desqualificada por ser mulher e por ter estado em intenso sofrimento psíquico, teve seus textos publicados em destacadas revistas de psicanálise, mas isto não foi suficiente para o reconhecimento do seu aporte conceitual à psicanálise. Tampouco do significativo lugar que ela ocupou num momento de construção e de expansão da psicanálise.

A publicação de Sabina Spielrein – uma pioneira da psicanálise, livro híbrido de obras completas, biografia intelectual e edição crítica, vem preencher a lacuna que ainda existe.

Neste primeiro volume, organizado, anotado e com textos críticos da psicanalista Renata Udler Cromberg, encontramos alguns de seus textos fundamentais: Sobre o conteúdo psicológico de um caso de esquizofrenia, o relato minucioso do tratamento de uma paciente atendida por ela em Burghölzli; A destruição como origem do devir, sobre o componente de morte contido na pulsão sexual, texto que antecipa o conceito da pulsão de morte de Freud; e A sogra, sobre filiação e a maternidade como eixos centrais da constituição do feminino. Também uma carta de Sabina a Carl G. Jung, de 1917, expondo sua concepção do aparelho psíquico.

O segundo volume, previsto para 2015, será composto por ensaios sobre o conhecimento do psiquismo infantil, a origem da linguagem, o pensamento e a noção de tempo na criança: Contribuições para o conhecimento da alma infantil (1912), A origem das palavras infantis “papai” e “mamãe” (1922), Algumas analogias entre o pensamento da criança, o do afásico e o pensamento subconsciente (1923) e O tempo na vida psíquica subliminar (1923) e 23 artigos curtos escritos de 1913 a 1931. O terceiro volume será composto por três análises: da relação amorosa, amistosa e intelectual entre ela e Jung, através de correspondência trocada entre eles em dois períodos, de 1908 a 1912 e de 1917 a 1919, da relação de amizade e confiança profissional entre ela e Sigmund Freud, através da correspondência trocada entre 1909 a 1923 e das possíveis causas do esquecimento da importância e do pioneirismo de Sabina Spielrein na história da psicanálise.

Anúncios